ICMBio discute criação de unidade de conservação no Pantanal de MS

Proposta do Delta do Salobra prevê proteção ambiental sem impedir produção rural

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realiza, nesta quarta-feira (17), às 14h, uma consulta pública para discutir a criação do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Delta do Salobra, em Bodoquena e Miranda, em Mato Grosso do Sul.

A unidade de conservação terá cerca de 60.791 hectares, voltada a proteção da biodiversidade e dos recursos hídricos, sem necessidade de desapropriação de terras privadas.

A criação do refúgio prevê ainda o apoio no combate a incêndios, com atuação de brigadistas e elaboração de um plano de manejo do fogo.

A reunião será realizada no Auditório da Prefeitura de Bodoquena (MS) e é aberta à população, como produtores rurais, moradores, pescadores, representantes do turismo e entidades ambientais, que poderão apresentar sugestões e esclarecer dúvidas sobre o projeto.

Área reúne diversidade de biomas e espécies ameaçadas

A região reúne ambientes dos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, com rios, lagoas, campos alagados, áreas serranas, cavernas e formações florestais. Levantamentos no Delta do Salobra identificaram 897 espécies na região.

Também foram registradas 42 espécies da fauna ameaçadas de extinção, entre elas a onça-pintada, a arara-azul, o cervo-do-pantanal, o lobo-guará, a anta e o tatu-canastra. O que reforça a importância da área para conservação no Delta do Salobra.

Produção rural será mantida com regras ambientais

O modelo Revis permite que propriedades privadas sejam mantidas, sem desapropriação. A produção agropecuária não será proibida. Atividades como pecuária e agricultura familiar poderão continuar, desde que sigam regras de uso sustentável e conservação ambiental.

A proposta foi definida, em grande parte, em áreas com baixa aptidão agrícola e com restrições já existentes, como Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal.

Não serão permitidas ações como desmatamento, conversão de vegetação nativa, uso irregular do fogo e exploração madeireira sem autorização. A simples presença na área não gera multa, que só ocorre em caso de descumprimento da legislação ambiental.

Pesca e pecuária seguem com regras já existentes

A pecuária poderá continuar, com orientações definidas no Plano de Manejo, que deve incluir medidas para manejo da vegetação e redução de incêndios.

A pesca no Rio Miranda continuará liberada, como já ocorre atualmente. No Rio Salobra, a atividade segue proibida por lei estadual. 

O Rio Salobra forma um delta com lagoas, corixos (canais naturais de água) e áreas alagadas que funcionam como berçários de peixes e sustentam a pesca e o turismo.

Até a definição dessas regras, não haverá mudanças imediatas nas atividades já realizadas.

Turismo e economia local podem ser ampliados

A proposta pode impulsionar o ecoturismo, a pesca esportiva e o turismo de base comunitária, além de abrir acesso a mecanismos como ICMS Ecológico, créditos de carbono e pagamento por serviços ambientais.

A gestão da unidade contará com a participação de moradores, produtores e entidades locais, por meio de um conselho responsável por ajudar na definição das regras.

FONTE: PRIMEIRAPAGINA.COM.BR

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