Fenômeno influencia chuvas, temperaturas e eventos extremos em diversas partes do país

Todo o Brasil sente o El Niño mas de formas diferentes. (Foto: Climatempo)
Mesmo se formando a milhares de quilômetros de distância, no Oceano Pacífico, o El Niño é capaz de provocar mudanças importantes no clima do Brasil. O fenômeno natural altera a circulação dos ventos e a distribuição da umidade na atmosfera, influenciando a ocorrência de chuvas, secas, ondas de calor e até eventos extremos em diferentes regiões do país.
De acordo com informações da Climatempo, elaboradas pelos meteorologistas Rennan Barbosa e Josélia Pegorim, cada episódio de El Niño tem características próprias. Ainda assim, alguns efeitos costumam se repetir e podem ser observados com maior frequência em determinadas regiões brasileiras.
Sul: mais chuva e maior risco de temporais
A Região Sul costuma ser uma das mais impactadas pelo fenômeno. Durante a primavera e o início do verão, é comum ocorrer:
- Chuvas acima da média;
- Temporais mais frequentes;
- Aumento do risco de enchentes e alagamentos;
- Cheias de rios com maior frequência;
- Mais deslizamentos de terra em áreas vulneráveis.
Sudeste: calor intenso e chuvas irregulares
No Sudeste, os reflexos do El Niño são percebidos principalmente na primavera e no verão. Os efeitos mais comuns incluem:
- Temperaturas acima da média;
- Ondas de calor mais frequentes e prolongadas;
- Irregularidade das chuvas no início da estação chuvosa;
- Maior risco de estiagem em algumas localidades;
- Aumento da demanda por água e energia.
Centro-Oeste: atraso das chuvas e aumento das queimadas
A principal mudança costuma ocorrer no início do período chuvoso. Entre os impactos mais observados estão:
- Atraso na chegada das chuvas regulares;
- Temporais isolados no início da primavera, que podem dar uma falsa impressão do fim da seca;
- Temperaturas mais elevadas;
- Prolongamento do período seco;
- Maior risco de queimadas e incêndios florestais.

Queimadas aumentam devido o El Niño. (Divulgação/Semadesc)
Nordeste: menos chuva e estiagem mais longa
Os efeitos são mais evidentes no norte da Região Nordeste, especialmente entre o verão e o outono. Os principais impactos são:
- Redução do período chuvoso;
- Prolongamento da estiagem;
- Temperaturas acima da média;
- Menor disponibilidade de água em rios e reservatórios;
- Possíveis prejuízos para atividades agrícolas que dependem da chuva.
Norte: seca mais intensa na Amazônia
Na Região Norte, especialmente na Amazônia, o El Niño costuma favorecer condições mais quentes e secas. Os impactos mais frequentes incluem:
- Diminuição das chuvas;
- Temperaturas mais altas;
- Estiagens prolongadas;
- Aumento do risco de queimadas e incêndios florestais;
- Queda do nível dos rios, com impactos no transporte, abastecimento de água e atividades econômicas.
Nem todo El Niño é igual
Embora existam padrões que costumam se repetir, os especialistas destacam que nenhum episódio de El Niño é exatamente igual ao outro.
A intensidade dos impactos varia conforme a força do fenômeno, a época do ano e a interação com outros sistemas atmosféricos e oceânicos. Por isso, uma mesma região pode sentir efeitos diferentes em cada ocorrência do fenômeno.

El Niño pode causar diversos eventos climáticos em uma mesma região. (Foto: Unsplash)
FONTE: PRIMEIRAPAGINA.COM.BR




