A safra de castanha-da-amazônia de 2025 sofreu uma quebra de quase 70%, a maior em duas décadas, devido à seca severa associada ao El Niño. Isso impacta diretamente o preço dos produtos no mercado.

Loja do Comper na rua Rui Barbosa, em Campo Grande. (Divulgação, imagem de arquivo)
A tigela de castanhas, nozes e frutas secas saiu da ceia de fim de ano e virou compra de rotina. Só que ela ficou mais cara, e o motivo não está na gôndola do supermercado: a safra de castanha-da-amazônia de 2025 caiu perto de 70%, a maior quebra em vinte anos de monitoramento da Embrapa.
Em Mato Grosso do Sul, a categoria está em campanha. Os Supermercados Comper realizam o Festival do Empório, com ofertas em castanhas, nozes, amêndoas e frutas secas. A ação começou em 5 de setembro e vai até domingo (27).

Loja do Comper na rua Rui Barbosa, em Campo Grande. (Divulgação/Arquivo)
O que aconteceu na floresta
A rede Kamukaia, da Embrapa, acompanha a produção de castanha há duas décadas e registrou a queda de cerca de 70% na safra do ano passado. Em algumas comunidades extrativistas, as perdas relatadas chegaram a 80%.
A causa apontada pelos pesquisadores é a seca severa associada ao El Niño de 2023 e 2024. A castanheira não se recupera na temporada seguinte porque sua floração dura mais de um ano, de modo que o estrago de uma seca só aparece na colheita adiante. A quebra anterior de porte parecido foi em 2017, quando a produção caiu pela metade.
O efeito no bolso de quem colhe apareceu rápido. Em março de 2025, a lata de 20 litros chegou a R$ 220 em regiões produtoras, perto de quatro vezes a média. No mercado internacional, a castanha com casca saiu de cerca de 0,70 euro o quilo em 2023 para algo entre 2,70 e 2,80 euros neste ano, com a oferta ainda apertada.
Mato Grosso do Sul não tem participação nessa cadeia. A castanha-do-Brasil é extrativismo amazônico. A noz-pecã se concentra no Sul do país, e a macadâmia, em São Paulo, na Bahia e no Espírito Santo. Pistache, nozes e amêndoas, que ganharam espaço nas prateleiras nos últimos anos, são majoritariamente importados.
Na prática, o preço que aparece na balança do empório em Campo Grande responde a duas variáveis sobre as quais o consumidor daqui não tem qualquer influência: a chuva na Amazônia e a cotação do dólar.

O consumo cresceu mesmo
O segmento global de nozes e castanhas soma mais de US$ 60 bilhões por ano, com crescimento médio anual próximo de 5%, segundo levantamentos da Global Market Insights e do International Nut and Dried Fruit Council citados pela rede. A Associação Brasileira de Nozes, Castanhas e Frutas Secas, a ABNC, aponta crescimento gradual da categoria no país.

O que mudou não foi só o volume, foi o uso. Castanhas e frutas secas passaram de ingrediente de receita sazonal a lanche rápido, cobertura de salada, granola e sobremesa, acompanhando a procura por alimentos com menor grau de processamento. Estudos sobre o efeito das oleaginosas no controle do apetite já foram tema de reportagem, e é esse consumo diário que sustenta a demanda.
Como funciona a campanha
O festival acontece nas lojas da rede em Mato Grosso do Sul. Clientes cadastrados no Clube Mais, o programa de fidelidade do Grupo Pereira, têm condições específicas durante o período. O cadastro é gratuito e pode ser feito pelo WhatsApp ou nos caixas das unidades. O programa ganhou aplicativo próprio em agosto. Quem tem o Vuon Card encontra condições à parte.
O Comper pertence ao Grupo Pereira, dono também do Fort Atacadista.
ServiçoA campanha, e o que olhar antes de encher o saquinho
Até quandoO Festival do Empório começou em 5 de setembro e vai até domingo (27), nas lojas do Comper
Como ter descontoPelo Clube Mais, o programa de fidelidade do Grupo Pereira, com cadastro gratuito pelo WhatsApp ou no caixa da loja. Quem tem o Vuon Card encontra condições à parte
No granelOleaginosa tem muita gordura e rancifica. Cheiro de tinta velha ou gosto amargo indicam produto passado. Compre a quantidade que dá para consumir em semanas e guarde em pote fechado, longe do calor
Uma ressalvaA castanha-do-Brasil concentra selênio em quantidade alta. Uma ou duas unidades por dia já costumam suprir a recomendação diária do mineral, e o excesso não é indicado+ Por que a castanha ficou cara
A safra de castanha-da-amazônia de 2025 caiu perto de 70%, a maior quebra em vinte anos de monitoramento da Embrapa, por causa da seca severa ligada ao El Niño de 2023 e 2024.
A floresta não repara rápido: a floração da castanheira leva mais de um ano, então a seca de um ano aparece na colheita do seguinte. Em 2026 a oferta continua apertada e o preço, alto.
O resto da gaveta depende do dólar: pistache, noz e amêndoa vendidos aqui são, em boa parte, importados.
Ver as lojas da redeSite da ABNC
Datas e condições da campanha conforme o Comper; preços e participação podem variar por loja. Dados de safra da Embrapa. As orientações de consumo são gerais e não substituem avaliação profissional.
FONTE: ACRITICA.NET




