Embrapa apresenta tecnologias para reduzir micotoxinas em grãos e prever ferrugem asiática da soja com inteligência artificial

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou duas novas soluções tecnológicas voltadas ao fortalecimento da produção agrícola brasileira. As iniciativas buscam melhorar a qualidade dos grãos armazenados e auxiliar produtores no controle de doenças nas lavouras de soja.
Uma das novidades foi desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo, em Minas Gerais, em parceria com a empresa Nascente. Trata-se do SiloBio, um silo biorreator que utiliza gás ozônio para reduzir a presença de micotoxinas, fungos, pragas e resíduos químicos em grãos destinados principalmente à produção de ração animal.
Segundo os pesquisadores, o sistema foi projetado para operar em larga escala. A tecnologia promove a movimentação dos grãos dentro do equipamento enquanto o ozônio é distribuído de forma homogênea no interior do biorreator.
Testes realizados indicaram resultados expressivos: a aplicação do ozônio reduziu mais de 90% da incidência de micotoxinas e diminuiu a presença de fungos em níveis próximos de 96%, sem alterar a qualidade nutricional dos grãos. Parâmetros como teor de água, proteína, lipídios e cinzas permaneceram dentro dos padrões considerados adequados.
Embora o uso do ozônio já seja conhecido em processos de tratamento, a inovação está na engenharia que permite aplicar a tecnologia em grande volume de grãos. Inicialmente, o equipamento será utilizado para milho, com potencial de aplicação também em sorgo, soja e farelos.
O lançamento oficial do SiloBio está previsto para o dia 11 de março, às 8h, durante o evento que marca os 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo. De acordo com a empresa parceira, o retorno do investimento pode ocorrer em menos de dois anos, devido à redução de perdas, menor necessidade de produtos químicos e melhoria na qualidade da ração produzida.
Outro ponto destacado é o aspecto ambiental. O sistema funciona utilizando apenas ar e eletricidade; após realizar sua função, o ozônio se transforma novamente em oxigênio, sem deixar resíduos no solo ou na água.
Inteligência artificial para monitorar ferrugem da soja
Paralelamente, pesquisadores brasileiros também estão desenvolvendo uma ferramenta digital que utiliza inteligência artificial em nuvem para prever o risco de ferrugem asiática da soja.
A doença, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é considerada uma das mais severas da cultura e pode provocar perdas de até 80% na produção, gerando prejuízos que ultrapassam US$ 2 bilhões por safra em custos de controle e perdas de produtividade.
A nova ferramenta reúne informações de sensores ambientais, imagens das folhas e dados agronômicos, como cultivar utilizada e calendário de plantio. A partir dessas informações, o sistema gera um painel online que indica níveis de risco — baixo, médio ou alto — além de relatórios com recomendações técnicas para o manejo da lavoura.
A proposta é ajudar o produtor a tomar decisões mais precisas sobre o momento de aplicação de fungicidas, reduzindo custos e evitando aplicações desnecessárias.
Os pesquisadores responsáveis pelo projeto informaram que já buscam parcerias com empresas privadas para viabilizar a implementação da tecnologia no setor produtivo.

AUTOR(A): ANNA VYTÓRIA

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