Produção global de café pode bater 180 milhões de sacas, Centro-Sul deve moer mais cana com foco no etanol e aviação agrícola registra crescimento histórico.

O mercado global de café já trabalha com cenário de safra cheia. O Rabobank projeta produção mundial de 180 milhões de sacas de 60 kg em 2026/27, ciclo que começa em outubro. O avanço é puxado principalmente pelo arábica brasileiro, beneficiado por condições climáticas favoráveis. No curto prazo, essa perspectiva de maior oferta ajuda a explicar a recente queda nos preços internacionais.
No Brasil, o arábica pode retomar protagonismo na safra 2026/27. A Hedgepoint Global Markets estima produção entre 46,5 milhões e 49 milhões de sacas, colhidas entre abril e agosto. O cenário ainda combina estoques globais apertados com consumidores mais sensíveis a preço, o que pode pressionar os valores no varejo ao longo do ano.
Cana deve moer mais e produzir menos açúcar
Na cana-de-açúcar, o movimento é de expansão na moagem e ajuste no mix produtivo. A SCA Brasil projeta que o Centro-Sul passe de 610 milhões de toneladas processadas em 2025/26 para 629 milhões em 2026/27.
O mix de açúcar deve cair de 51% para 48%, indicando maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol. A estratégia acompanha um cenário de maior competitividade do biocombustível, embora o clima gere atenção: modelos meteorológicos indicam possibilidade de novo episódio de El Niño, fenômeno que costuma impactar o desenvolvimento do canavial e mexer com as expectativas do mercado.
Algodão ganha força com revisão positiva
No algodão, a oferta brasileira foi revisada para cima. A StoneX elevou a estimativa da produção total do Brasil em 2026 para 3,74 milhões de toneladas após a conclusão do plantio. O desempenho é sustentado por condições climáticas favoráveis na Bahia, onde as lavouras apresentam bom desenvolvimento.
Apesar de um início de ano mais lento nas exportações, a expectativa segue de embarques consistentes ao longo de 2026, especialmente se os Estados Unidos confirmarem uma possível redução na própria produção.
Aviação agrícola cresce e ganha modelo autônomo
O agro também ganha mais “asa”. A aviação agrícola brasileira encerrou 2025 com 2,86 mil aeronaves, alta de 5,2% no ano e praticamente o dobro da frota registrada em 2009.
O serviço terceirizado segue predominante, concentrando 1,80 mil aviões (62,9% da frota), enquanto produtores com aeronaves próprias somam 1,04 mil unidades (36%).
A principal novidade do setor é o registro do primeiro avião agrícola autônomo no Brasil: o Pelican, modelo elétrico voltado à pulverização. O avanço tecnológico mostra que a inteligência artificial e a automação já fazem parte da rotina até mesmo na aplicação aérea de insumos.
FONTE: ANNA VYTÓRIA



