Cotação da tilápia se acomoda na última semana de maio com estabilidade nas principais praças

Depois de meses consecutivos de valorização, o mercado da tilápia inicia a reta final de maio com um claro movimento de acomodação. Os dados do Cepea/Esalq para a semana de 18 a 22 de maio mostram variação quase nula na maioria das regiões produtoras, sinal que o setor pode estar encontrando um novo patamar de equilíbrio entre oferta e demanda.

Mercado da tilápia se acomoda na última semana de maio com estabilidade nos preços

A quinta semana de maio chegou ao fim com o mercado da tilápia praticamente estável nas cinco principais praças monitoradas pelo Cepea/Esalq. Das regiões acompanhadas, quatro registraram variação inferior a 0,25%, enquanto apenas o Oeste do Paraná apresentou movimento mais expressivo, com recuo de 0,49% no preço médio do quilo. Os dados reforçam a percepção de que o ciclo de alta perdeu força após o pico registrado entre março e abril.

Panorama semanal por praça

O preço mais alto entre as regiões monitoradas pelo Cepea/Esalq foi registrado no Norte do Paraná, onde a tilápia alcançou R$ 10,45 por quilo, ligeira alta de 0,10% ante a semana anterior. A região mantém a condição de praça mais valorizada do país, sustentada pela demanda constante dos centros consumidores próximos e pela qualidade do pescado local.

O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba, em Minas Gerais, apresentaram o segundo maior valor, com o quilo a R$ 10,24, estabilidade absoluta em relação à semana anterior (variação de apenas 0,04%). A constância da praça mineira reflete um mercado maduro, com oferta e demanda bem ajustadas no período.

Na região dos Grandes Lagos, também em Minas Gerais, o preço ficou em R$ 10,09, virtualmente estável (alta de 0,01%). O dado chama atenção porque a praça já havia permanecido em R$ 10,09 na semana anterior, indicando que o mercado local encontrou um piso firme nesse patamar.

Em Morada Nova de Minas, o valor recuou discretamente para R$ 9,64, queda de 0,24% em relação à semana anterior. Ainda assim, o preço se mantém em nível confortável para os produtores da região, considerando que em outubro de 2025 o quilo era negociado a R$ 8,36 na mesma praça.

Já o Oeste do Paraná registrou o menor valor entre as praças analisadas, com a tilápia cotada a R$ 8,87, recuo de 0,49% ante os R$ 8,92 da semana anterior. A região, que historicamente opera com preços mais baixos por sua alta concentração de produtores e maior oferta relativa, foi a única a apresentar movimento negativo mais acentuado no período.

Fatores que moldam o cenário

A estabilidade observada nesta semana reflete uma combinação de fatores que atuam em sentidos opostos. De um lado, a oferta de tilápia segue restrita em diversas regiões produtoras. O ciclo natural de engorda, aliado às temperaturas mais amenas do outono, reduz a velocidade de crescimento dos peixes e limita a quantidade de animais prontos para o abate.

Do lado da demanda, o consumo interno continua aquecido. A tilápia consolidou-se como a proteína de origem aquícola mais consumida no Brasil, e a procura permanece firme tanto no varejo quanto na alimentação fora do lar. O período pós-Quaresma, que tradicionalmente traz alguma acomodação no consumo de pescado, não gerou retração expressiva neste ano, indicando uma mudança estrutural nos hábitos alimentares do brasileiro.

No entanto, pressões vindas da importação começam a preocupar o setor. Pela primeira vez na história, o Brasil importou mais tilápia do que exportou, segundo dados divulgados no primeiro trimestre. O volume de pescado proveniente principalmente de países asiáticos, com preços mais competitivos, adiciona uma camada extra de concorrência no mercado doméstico e pode limitar o potencial de alta nos preços internos.

O custo da ração, principal insumo da piscicultura, segue como variável de atenção. O milho e o farelo de soja, componentes-base da alimentação dos peixes, mantiveram trajetória de estabilidade nas últimas semanas, o que alivia parcialmente a pressão sobre as margens dos produtores. O dólar cotado a R$ 5,05 contribui para manter os preços dos insumos em patamar administrável.

Perspectiva para os próximos dias

A tendência imediata é de continuidade no movimento de lateralização dos preços. Com a oferta ainda restrita pela sazonalidade outonal e a demanda doméstica firme, não há fundamentos para uma correção baixista significativa no curto prazo.

Por outro lado, o ímpeto de alta observado nos meses anteriores perdeu força. Os preços atuais, na faixa de R$ 9 a R$ 10,50 dependendo da região, representam uma valorização expressiva em relação ao piso de setembro de 2025, quando a tilápia chegou a ser negociada abaixo de R$ 8 em algumas praças. O mercado parece ter encontrado um novo patamar de equilíbrio, e as próximas semanas devem confirmar se esse nível se sustenta.

A atenção dos produtores e comercializadores se volta agora para os dados de maio do Cepea/Esalq, que consolidarão o comportamento médio do mês. Caso a estabilidade se mantenha, o setor poderá planejar o segundo semestre com maior previsibilidade de margens, um alívio após a volatilidade que marcou o mercado da tilápia em 2025.

FONTE: AGRONEWS

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